Cubismo

 

O início do século XX foi marcado pelo medo e demonstrações de poder por uma guerra iminente, assim como transfigurou as metamorfoses sociais, econômicas, políticas e tecnológicas.

Como espelho da humanidade, a Arte refletiu os aspectos sociais em vigor nas mais diversas formas de expressão, pois as mudanças estavam intrinsecamente no seio das concepções humanas. Foi necessária para trazer reflexão, críticas sociais e fazer com que a arte fosse repensada.

Em meio as turbulências mencionadas, surgem três movimentos artísticos memoráveis nos quais até os dias atuais percebe-se seus reflexos, são eles: o Fauvismo, o Cubismo e o Dadaísmo.

O primeiro, evidenciado pela exuberância das cores, por transmitir a vivacidade e os sentimentos subjetivos ao espectador. O segundo, com uma reflexão quanto à desfragmentação da natureza e reconstrução da mesma sob formas geométricas perfeitas. E o último, com a alta capacidade de transformar os pensamentos sociais da época, ao indagar sobre o que pode ser considerado Arte e por que apenas os burgueses podiam ter acesso a ela.

O tema apresentado foi explorado com a finalidade de adquirir conhecimentos quanto a história da humanidade, tal qual adquirir percepções da relevância e os impactos na atualidade.

O CUBISMO

O Cubismo irrompeu na França no início do século XX, por intermédio do pintor francês Paul Cézanne, ao realizar uma obra com distorções nas formas, apropriando-se de técnicas bidimensionais. Mas o movimento só ganhou força a partir da publicação da obra Les Demoiselles d’Avignon de Pablo Picasso, em 1907, em um ambiente político, social e econômico tenso, devido aos conflitos que antecederam a Primeira Guerra Mundial, ocorrida entre 1914 e 1918.

Segundo o site Só História, “[…] havia uma forte concorrência comercial entre os países europeus, principalmente na disputa pelos mercados consumidores. Esta concorrência gerou vários conflitos de interesses entre as nações”. Os países estavam buscando proteger-se contra possíveis ataques ou atacarem, caso fosse necessário. Portanto, a preocupação com a capacidade bélica gerava apreensão e medo entre os países. Neste contexto, o cubismo aflora.

Considerado um dos movimentos mais influentes do século XX, surgiu com a proposta de que tudo que existe na natureza pode ser reduzido e fragmentado em formas geométricas perfeitas e, a partir delas, serem representadas. Inspirou-se na arte tribal, originada na África assim como na Oceania.

O fim do movimento Cubista sucedeu, justamente, por conta da eclosão da Primeira Guerra Mundial, onde, os principais idealizadores, foram recrutados e enviados ao campo de batalha. Mas, a ideologia continuou ávida através de outros artistas.

PINTURA

A obra considerada o marco inicial, propriamente dito, do movimento artístico Cubista, foi criada por Pablo Picasso, intitulada de Les Demoiselles d’Avignon. Como pode ser observado na Figura 1, as mulheres são retratadas com linhas retas e geométricas e a face mostra todos os ângulos, ao mesmo tempo. Quebrando assim, os paradigmas impostos pelos movimentos artísticos anteriores, inovando no que tange as técnicas de expressão e trazendo uma nova interpretação da arte.

  
Figura 1 –  Obra “Les Demoiselles d’Avignon”, de Pablo Picasso (1907)

figura-1

Fonte: http://www.infoescola.com/artes/cubismo/

O Cubismo foi dividido em duas fases de grande significância, são elas: Cubismo Analítico e o Cubismo Sintético. Na primeira fase, que perdurou até o ano de 1912, as imagens reproduzidas possuíam cores moderadas e o tracejado era absolutamente geométrico mostrando todos os ângulos do objeto, sendo necessário desvendá-lo para entender-lhe o sentido.

Na segunda fase, principiada a partir de 1912, as formas geométricas eram utilizadas para recriar imagens facilmente identificáveis, as cores eram mais fortes e além disso, recorriam às colagens com partes de jornais e letras.

Os principais artistas Cubistas foram: Albert Gleizes, Braque, Fernand Léger, Francis Picabia, Juan Gris, Marcel Duchamp, Pablo Picasso, Robert Delaunay e Roger de La Fresnaye.

 ESCULTURA

O ramo da escultura recebeu forte influência da cultura Africana, ainda assim mantendo a proposta do movimento: formas geométricas e volume reduzido. Não há preocupação quanto ao ponto de vista do apreciador, nem quanto as cavidades ou direcionamento da luz, como pode ser observado na Figura 2.

 “[…] suas obras são pensadas e construídas como nas colagens, com todo tipo de materiais: madeira, metais, papelão, cordas e outros, todos reunidos com o único fim de se obter uma escultura praticamente experimental […]” (OLIVEIRA, 1999).

Figura 2 – Femme à l’éventail

figura-2

Fonte: http://www.museoreinasofia.es/exposiciones/formas-cubismo-escultura-1909-1919

Os principais escultores foram: Archipenko, Brancusi, Duchamp-Villon, Gonzalez, Henri Laurens e Lipchitz, que, apesar do intercâmbio ideológico junto com as outras formas de expressão (pintura, literatura, etc.) desenvolveram-se separadamente da pintura.

LITERATURA

Segundo Pinheiro (2011), a atuação do Cubismo na literatura irrompeu com o manifesto-síntese publicado pelo francês Guillaume Apollinaire, em 1913. A estrutura utilizada, como pode ser observada na Figura 3, rompia com os padrões preestabelecidos pelo lirismo, sem estrofes ou preocupação com normas ortográficas. Apenas palavras soltas que intentavam, nos espaços vazios, formar uma imagem na qual retrava a mensagem a ser transmitida.

Figura 3 –  A Calligram por Guillaume Apollinaire – 1918

figura-3

Fonte: http://aartecubista.blogspot.com.br/2011/08/cubismo-arquitetura-escultura-e.html

CUBISMO NO BRASIL

Não houve representantes do Cubismo no Brasil, mas a repercussão do movimento se deu após a Semana de Arte Moderna de 1922, já que apropriar-se do estilo era considerado apenas um exercício técnico. Ainda assim, foi responsável por influenciar os artistas modernistas como: Anita Malfatti, Di Cavalcanti, Tarsila do Amaral e Vicente do Rego Monteiro.

REFERÊNCIAS

CEREJEIRA, Thiago. "Fonte", de Marcel Duchamp. ARTE DESCRITA. Disponível em: <http://artedescrita.blogspot.com.br/2012/02/fonte-de-marcel-duchamp.html>. Acesso em: 27 de jun. 2016.

CUNHA, Andréia. No Rastro Das Histórias De Bicicleta.  SARAIVA CONTEÚDO. Disponível em: <http://www.saraivaconteudo.com.br/Materias/Post/47078>. Acesso em: 27 de jun. 2016.

DÍAZ MERINO, Ximena. Cubismo Literário: da Forma à Poesia. Revista de Literatura, História e Memória, v.7, n.10, 2011, p. 321-335.

PETRIN, Natália. Cubismo. ESTUDO PRÁTICO. Disponível em: <http://www.estudopratico.com.br/cubismo-caracteristicas-fases-e-o-movimento-no-brasil/>. Acesso em: 27 de jun. 2016.

PINHEIRO, Bruna. Cubismo - Arquitetura, Escultura e Literatura. A ARTE CUBISTA. Disponível em: <http://aartecubista.blogspot.com.br/2011/08/cubismo-arquitetura-escultura-e.html>. Acesso em: Acesso em: 27 de jun. 2016.

MUSEO NACIONAL CENTRO DE ARTE REINA SOFIA. Las formas del cubismo. Escultura 1909-1919. Disponível em: <http://www.museoreinasofia.es/exposiciones/formas-cubismo-escultura-1909-1919>. Acesso em: 27 de jun. 2016.

OLEQUES, Liane. Cubismo. INFOESCOLA. Disponível em: <http://www.infoescola.com/artes/cubismo/>. Acesso em: 27 de jun. 2016.

OLIVEIRA, Carla. Cubismo. HISTÓRIA DA ARTE DO SÉCULO XX. Disponível em: <http://www.carlamaryoliveira.pro.br/cubismo.html>. Acesso em: 26 de jun. 2016.

SÓ HISTÓRIA. Primeira Guerra Mundial. Disponível em: <http://www.sohistoria.com.br/ef2/primeiraguerra/>. Acesso em: 26 de jun. 2016.

VILARINHO, Sabrina. Cubismo. MUNDO EDUCAÇÃO. Disponível em: <http://mundoeducacao.bol.uol.com.br/literatura/cubismo.htm>. Acesso em: 27 de jun. 2016.

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