Resenha – The True Cost (o verdadeiro custo)

Os minutos empregados na concepção desta resenha foram mais que suficientes para a efetivação de inúmeras transações, de compra e venda, no âmbito mundial, possibilitados pela integração dos mercados internacionais através do processo de globalização.

O longa-metragem The True Cost traz questionamentos pertinentes acerca do consumo exacerbado do vestuário e as consequências ético, morais, sociais e ambientais existentes nos bastidores e negligenciadas pela sociedade.

Assista ao trailer:
Fonte: Bruna Va

Assista ao documentário completo na Netflix

O primeiro tópico a ser percebido, é quanto a competitividade e agilidade do nicho. Fast fashion ou moda rápida, foi a solução encontrada para movimentar ainda mais os produtos deste segmento no mercado. Neste conceito, as roupas são criadas visando 52 estações por ano, ao invés das 4 existentes: primavera, verão, outono e inverno.

Logo, o sentimento de obsolescência é disseminado em massa nas mídias através de todas as ferramentas de marketing disponíveis. O desejo de ter, de estar na moda, de se sentir atual é injetado nas pessoas através da inversão de valores expostas em: filmes, desenhos, novelas e séries que vendem o padrão de vida americano voltado ao supérfluo. Origina-se então o termo consumismo, nos dois sentidos da palavra, o consumo excessivo e uma referência a “nova” doença contemporânea.

Observa-se que os bens que eram para ser de boa qualidade e duráveis, passam a ter um ciclo de vida útil menor, devido às escolhas das matérias-primas, mais sintéticas do que naturais e/ou de baixa qualidade. A concorrência pelo preço baixo se eleva, e a necessidade de diminuir os custos operacionais para se manter no mercado, acaba sendo percebida.

Desta forma, muitas empresas, optam pela contratação de mão-de-obra advindas dos países populosos de terceiro mundo, como Índia e Bangladesh, os quais a pobreza reflete a ausência de direitos sociais negligenciados por um sistema de governo voltado para o lucro.

The True Cost
Fonte da imagem: E-commerce Brasil

As empresas têxteis destes países, vendem os produtos acabados a baixo custo, e, por apresentarem margem de lucro apertadas, submetem os funcionários a condições subumanas e injustificáveis. Sem ergonomia, sem EPIs, sem direitos, sem qualidade de vida e isolados das pessoas que amam. Assim é a representação da vida da classe trabalhadora oprimida, cujo salário chega, aproximadamente, U$ 2,00 por dia. Ocasionalmente, acidentes, como o ocorrido no Rana Plaza, Bangladesh (em 2013), evidenciam o poder opressor destas relações.

Resultado de imagem para Rana Plaza, Bangladesh (em 2013)
Fonte da imagem: Global News Network

A obra também uma crítica quanto aos impactos ambientais acarretados pelo segmento, que é o segundo maior poluente, ficando apenas atrás do setor petrolífero. Diante da existência de um monopólio de sementes de algodão transgênico B7, os agricultores locais se veem obrigados a adquiri-las por valores até 400% mais altos, e como o algodão atrai muitas pragas, utilizam quantidades exorbitantes de pesticidas, que são responsáveis por surtos de doenças e pela degradação dos solos e rios.

As grandes empresas, tentam justificar suas ações pautadas na ideia de que estão disponibilizando uma forma de renda para populações paupérrimas. Os governos, não tomam iniciativa com receio de que os aumentos dos custos sucedam no êxodo destas empresas do país, e consequentemente na redução do PIB. Os funcionários, tentam se articular para construir sindicatos e protestam a favor dos seus direitos, mas são respondidos com tropas de choques e balas. E as pessoas, em toda crosta terrestre, continuam, neste exato momento, comprando continuamente, alienadas e cegas quanto à procedência. A obtenção do lucro é o principal objetivo do sistema econômico predominante no mundo, o capitalismo. Todos almejam obtê-lo, e alguns são capazes de tudo por ele.

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