Entenda a diferença entre inflação de custos x demanda

A inflação é o aumento contínuo e generalizado dos níveis dos preços. Sendo relevante salientar que é um processo e não um fato isolado, ou seja, se apenas o preço do arroz sobe, não significa, obrigatoriamente, que tenha sido reflexo da inflação, pode ter ocorrido particularidades neste setor que refletiu no preço deste produto.  Outro fato é que os aumentos são contínuos e não esporádicos, assim como generalizados e não isolados.

A inflação ocorre quando há muito dinheiro em circulação, se relacionado à produção de bens/serviços. Quanto maior a quantidade de moeda por unidade de produção, maior a taxa inflacionária.

“A inflação pode ser de outra natureza, causada independentemente da existência de excesso de demanda na economia, por aumentos nos preços de oferta, a partir de aumentos autônomos nos elementos de custos”


(SOUZA, 2001)

Portanto, identificam-se quatro tipos de inflação, são elas: inflação de demanda, inflação de custos, inflação estrutural e inflação inercial. Nesta publicação, serão abordados apenas as duas primeiras.

INFLAÇÃO DE DEMANDA

“Define-se inflação de demanda como uma elevação do nível de preços causada por aumento real da demanda agregada superior ao produto potencial da economia”


(SOUZA, 2001)

Ou seja, quando o consumo por determinadas mercadorias aumenta e a quantidade produzida está escassa, os preços tendem a subir. Existem alguns fatores que podem colaborar para que ocorra este tipo de inflação, são eles:

  • Aumento da renda: pode ocorrer pelo aumento de salários ou redução da carga tributária (como o imposto de renda, por exemplo).
  • Expansão dos gastos públicos, já que o governo também consome os bens e serviços na economia, o aumento deste consumo pressiona o nível da demanda agregada.
  • Expansão do crédito: quando o crédito é facilitado e ofertado em abundância, o consumo tende a subir.
  • Redução das taxas de juros: impulsiona investimentos por mais que a redução seja mínima, estimula formação de estoques.
  • As expectativas dos agentes econômicos influenciam na demanda.

INFLAÇÃO DE CUSTOS

“Inflação de custos seria um aumento dos preços de oferta para um dado nível de atividades”


(SOUZA, 2001)

De acordo com o Oliveira:

[…] é aquela na qual ocorre um aumento em fatores que incidem diretamente sobre o produto. Por exemplo, caso ocorra o aumento do valor da matéria-prima, os produtos que são derivados dessa matéria irão sofrer uma inflação. Essa inflação pode ocorrer também em virtude da elevação das taxas de juros, salários, combustíveis e tarifas públicas.

Ou seja, o nível da demanda permanece o mesmo, enquanto os custos de produção sobem. Assim sendo, os custos são repassados ao consumidor final e os preços aumentam. Diversos fatores podem aumentar os custos, são eles:

  • Taxa de juros, dado as empresas utilizam capital de terceiros: ao mesmo tempo que contribui para aumentar a demanda, aumenta os custos inerentes à produção.
  • Desvalorização cambial: atingindo o preço de produtos, equipamentos e insumos importados.
  • Custos de mão-de-obra: é composto pela soma dos salários mais encargos; sempre que há aumento salarial os custos elevam-se.
  • Aumento de impostos: impactam diretamente nos custos e, consequentemente, nos preços.

TEORIA MONETARISTA

A Teoria Monetarista parte do pressuposto que a causa básica da inflação está na emissão da moeda em ritmo superior ao necessitado pela economia, sendo provocado pelo déficit do setor público.

Segundo Castoldi (2006), para reverter um processo inflacionário, a teoria sugere o combate ao déficit do setor público e o controle da emissão de moeda. Reduzir a oferta de moeda, neste ponto de vista, ocasionaria a redução de preços e no ritmo de crescimento dos mesmos, embora um eventual choque leve, inevitavelmente, à recessão.

 A ótica monetarista acerca da inflação, surge a partir da Teoria Quantitativa da Moeda, de acordo com o esclarecido abaixo:

M ⋅V = P ⋅Q

M = o volume de moeda (meios de pagamento) existente na economia num dado momento;

V = velocidade de circulação da moeda, isto é, o número de vezes que a moeda “troca de mão” em determinada unidade de tempo;

P = o nível de preços da economia;

Q = a quantidade produzida pela economia.

TEORIA KEYNESIANA

A Teoria Keynesiana, associa a inflação ao excesso ocorrido nos gastos públicos, mas que os gastos devem ser a variável de controle da economia, não sendo então ocasionado pelo aumento da quantidade de moeda.

De acordo com Castoldi (2006):

O excesso de gastos públicos provocará inflação, quando a demanda cresce a ponto de pressionar os mercados de fatores de produção. Com isso, os preços dos fatores de produção (mão-de-obra, equipamentos etc.) elevar-se-ão, pressionando os custos e a inflação.

REFERÊNCIAS
CASTOLDI,
Agenor. Economia. UNIJUI. Rio Grande do Sul: 2006. p. 135-140.
ECONOMIA.
Inflação. Disponível em: <http://economiabr.net/economia/4_inflacao.html>.
Acesso em: 12 de fev. de  2017.
OLIVEIRA,
Gabriel. Tipos de Inflação. Disponível em: <http://alunosonline.uol.com.br/matematica/tipos-inflacao.html>.
Acesso em: 12 de fev. de  2017.
PORTAL
EDUCAÇÃO. Tipos de Inflação. Disponível em: <https://www.portaleducacao.com.br/administracao/artigos/29799/tipos-de-inflacao>.
Acesso em: 12 de fev. de  2017.
SOUZA,
Luiz. Leituras de Economia Política, Campinas, (9): 19-39, dez. 2001.

Imagem de capa: Xtech

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